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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Juventude do Campo: Inovações projetadas, oportunidade de transformação


Fixar o jovem do campo no campo é um discurso bastante antigo e repetitivo e, para que a propensão das juventudes do campo à inovação se realize, entretanto, é necessário um ambiente social que estimule o conhecimento e favoreça que as novas ideias tenham chance de se tornar empreendimentos. Uma das maiores doenças de nosso tempo, como diz Abramovay, está exatamente na incapacidade das sociedades contemporâneas oferecerem perspectivas para que a inovação se concretize em projetos – privados ou sociais – construtivos.
Para isso, o mais importante é que o destino dos jovens não esteja traçado desde seu nascimento, como fatalidade. Ora, o pressuposto da tão propalada "fixação do jovem do campo no campo" é que não há melhor caminho para estes jovens que sua transformação em agricultores. Há dois equívocos nessa suposição.
1º) Estudos mostram que parte importante dos jovens vivendo hoje em estabelecimentos agropecuários – e a grande maioria das moças, em especial – não deseja seguir a profissão dos pais. Segundo pesquisa realizada pela AACC em 2008, mesmo em uma das regiões em que a agricultura familiar tem maior expressão social e econômica no país, um terço dos rapazes e quase dois terços das moças declaravam não querer continuar vivendo em estabelecimentos agropecuários.
2º) Uma política de desenvolvimento rural voltada para a juventude não pode limitar-se à agricultura. Os futuros agricultores serão cada vez mais pluriativos, suas rendas dependerão da agricultura, mas também de outras atividades. Quanto mais os jovens estiverem preparados para essas outras atividades – entre as quais se destacam as voltadas à valorização da própria biodiversidade existente no meio rural – maiores suas chances de realização pessoal e profissional. Além disso, nas regiões rurais não vivem apenas agricultores. Não se pode ignorar esta realidade elementar e hoje sobejamente conhecida: o meio rural é muito maior do que a agricultura.
Uma verdadeira política de desenvolvimento rural deve associar uma educação de qualidade e estímulo para projetos inovadores que façam do meio rural, para eles, não uma fatalidade, mas uma opção de vida.
A política deve contemplar igualmente os jovens rurais que não querem ser agricultores, mas gostariam de permanecer em suas regiões de origem, valorizando seus círculos de amizade, contribuindo para o surgimento de novas atividades e evitando, na prática, a falsa oposição entre a monotonia e a pobreza da vida interiorana e os conhecidos problemas das periferias das grandes cidades.

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