Segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto Pólis de Estudos e Assessoria em Políticas Públicas, um em cada três jovens brasileiros participa de algum tipo de organização social. São grupos religiosos, de hip-hop, de grafiti, entre outros, que não são vistos tradicionalmente como organizações políticas mas que, atualmente, essas têm sido as formas de participação social de jovens brasileiros.
Apesar de se comentar que as juventudes brasileiras têm estado indiferentes, a pesquisa aponta um grande nível de participação juvenil, conforme dados da pesquisa. Só que as juventudes têm buscado novas formas de participação na vida política, já que há um descontentamento grande com as formas tradicionais de participação, como partidos, sindicatos e entidades estudantis.
“A própria realidade do país não estimula as juventudes a participarem da política tradicional”, diz a pesquisadora Ozira da Costa, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional. Segundo ela, essa realidade se reflete nos números. De 8.000 jovens entrevistados, em oito regiões metropolitanas, 28% fazem parte de algum grupo, mas apenas 1% desses jovens participam de algum partido político e apenas 0,7% está filiado a algum sindicato.
A principal forma de participação é em grupos religiosos, seguida das associações esportivas e comunitárias e de grupos artísticos. Para Ozanira da Costa, esse resultado aponta, inclusive, a importância dos três temas – religião, esporte e cultura – para a juventude.
Em cada cinco jovens, um respondeu “sim” à pergunta “Você já participou de algum movimento ou reunião para melhorar a vida do seu bairro ou da sua cidade (lugar)?”. E desse público que já havia participado de alguma mobilização, 40% tinha como objetivo melhorar ou criar uma área de lazer ou esporte. Os outros motivos foram segurança, melhorias de saneamento e de postos de saúde no seu lugar.
Duas das chaves para essa participação, segundo a pesquisadora, são a renda e o grau de educação dos jovens. A pesquisa revelou que quanto maior a renda do jovem, maior seu grau de participação em organizações sociais. O mesmo vale para o grau de instrução.
“A grande ligação para que o jovem possa participar mais da vida política e da sociedade é a educação”, afirma a pesquisadora. “O jovem pobre, portanto, tem uma grande dificuldade de acesso à educação de qualidade e com isso menos estímulo à participação. Já o jovem com renda familiar melhor tem condição de ir a uma escola de um serviço educacional melhor e lá tem mais acesso à informação e mais estímulo para participar da vida política do país”, confirma Bosco, sociólogo da UFRN.
A falta de acesso à informação é outro obstáculo à participação, segundo a pesquisadora Ozira Costa. “A pesquisa ainda mostra que 85% dos jovens se informam pela televisão. (...) Os jovens não têm acesso a outras formas eficazes de informação e as escolas não estimulam temas da atualidade”.
A pesquisa dos institutos Pólis e Ibase foi feita em dois períodos: julho de 2004, pouco antes das eleições municipais, e novembro de 2005, período da crise política que atingiu o Congresso Nacional. Foram entrevistadas 8 mil jovens de 15 a 24 anos das regiões metropolitanas. Depois da pesquisa quantitativa, foram escolhidos 900 jovens para uma pesquisa qualitativa. Foi usado um método canadense chamado de Grupos de Diálogo com Grupos Focais, onde são formados grupos de discussão sobre alguns temas para descobrir a opinião dos entrevistados sobre cada assunto.
09:10:00
Heldene Khaleo




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